2018 - Loudersound

Escrito por Julia . Posted in Entrevistas

Tarja Turunen sempre soube que seria musicista

“Meu irmão mais velho tinha uma bateria e meus pais cantavam muito bem, então sempre houve música ao meu redor. Nós cantávamos, íamos ao teatro juntos. Quando eu tinha seis anos, minha mãe viu talento em mim; então comecei a fazer aulas de piano. Este foi o início de minha educação clássica.”

Tarja cantou na escola, quando criança; no ensino médio, enquanto estudava na Senior Secondary School of Art and Music in Savonlinna, no noroeste da Finlândia, a 350km de Helsinki. Aos 18 anos foi para o norte, estudar na Sibelius Academy, em Kuopio, antes de se juntar ao Nightwish. Agora, cantar é seu trabalho.

“A música era o único caminho para mim. Eu cantava em todo lugar. Ela me deu oportunidade de ir para a cidade grande, longe da pequena vila onde cresci.”

20 anos depois do [surgimento do] Nightwish – mais de uma década após sair da banda – Tarja continua cantando. Seu último álbum, Act II, lançado em 27 de julho, pela earMUSIC, é uma sequência do seu primeiro DVD ao vivo, Act I: ao vivo em Rosário.

Act II está disponível em diversas plataformas; ele contém áudio e vídeo de dois shows: Metropolis Alive, filmado no estúdio London’d Metropolis, e outro filmado no teatro Della Luna Allago, em Milão.

“Act II não é uma gravação comum, ao vivo, mas artística; você pode acha-lo contraditório, o que é exatamente o que quero. Desligue as luzes, aumente o volume e se entregue ao show.”

Abaixo, Tarja escolhe seus 10 compositores favoritos.


PUCCINI

“Nos últimos estágios de minha educação em canto clássico, comecei a cantar as árias de Puccini, especialmente as de Mimi de La Boheme. Ele foi um compositor romântico bastante exigente no que diz respeito aos vocais. Eu sou uma pessoa romântica, é fácil me transportar para as composições dele.”


SIBELIUS

“Sibelius é o pai da música Finlandesa. O trabalho dele é bastante melancólico, e melancolia vive dentro de cada finlandês, independentemente de qualquer coisa. Mesmo em minhas composições hoje, sempre há melancolia; há muita felicidade também, mas a melancolia está presente. Quando ouço Sibelius, me sinto conectada com a Finlândia, país do qual estive distante por tantos anos, mas o amor e a conexão sempre estiveram presentes. É minha raiz.”


CRAIG ARMSTRONG

“Craig Armstrong é um compositor britânico, que faz trilhas sonoras para filmes. O piano dele tem grande influência sobre mim. Eu era pianista – ainda consigo tocar piano, só que muito mal! – mas ainda componho no piano. Ele gravou muitos álbuns de piano, provavelmente compõe no piano também. Amo trilhas sonoras de filmes em geral.”


PETER GABRIEL

“Eu o amo, o adoro. Sou uma grande fã. Ele teve grande influência sob mim mesmo antes de eu perceber! No meu primeiro álbum, usei a mesma maquiagem que ele, durante os primeiros dias do Genesis. Não foi intencional! Eu amo “Up” e “So”.


FREDDIE MERCURY

“Suas composições eram imensamente livres. Sempre que alguém pergunta qual minha música favorita dentre todas – ou qual a mais perfeita composição já criada – respondo que é Bohemian Rhapsody. Hoje, seria muito difícil apresentar uma música como ela e vê-la tocar no rádio. Ela é muito bonita.”

“Minha própria música, hoje, está ficando mais progressiva porque estou tentando escapar da caixa criada enquanto eu aprendia música ao longo dos anos. Na escola, eles te ensinam um certo modo de composição, mas eu já não me importo em ser correta ou em fazer algo certo; é incrível quando você consegue se libertar disso.”


HANS ZIMMER

“Amo o jeito dele de ser um romântico e emocional compositor de trilhas sonoras. Minha favorita, até hoje, é a de Gladiador; ela é muito bonita. Sem a música, o filme seria emocionante, mas não seria tanto quanto. Eu não conseguia me mover depois que o filme terminou; eu explodi em lágrimas.”

“Atualmente, ele é bastante agressivo, a exemplo da trilha de Inception, mas ainda emocional. Ele tem essa pegada. Seus arranjos são cheios de emoção; ainda que não sejam mais românticos.”


REGINA SPEKTOR

“Ela é uma russa-americana nova-iorquina cantora e compositora. Eu a amo porque ela é livre, e suas composições não são óbvias. Isso me faz amá-la. Ela é bastante forte, a personalidade dela irradia nas músicas. Um dos seus maiores hits foi uma música chamada Fidelity, do álbum Begin to Hope; eu amei. É tão legal ter artistas que estão na estrada há muito tempo e que mostram músicas que não são óbvias.”


ROLAND ORZABAL

“Amo Tears For Fears. As músicas dele são muito diferentes. Músicas como Mad World e Women In Chains são fáceis de serem ouvidas. Ele é cheio de emoções, assim como eu sou uma garota cheia de emoções.”


MATT BELLAMY

“Matt Bellamy, do Muse, é uma grande inspiração para mim. Eu até fiz cover de uma de suas músicas: Supremacy, na minha última gravação [The Shadow Self, lançado em 2016]. Ela demanda muito, vocalmente. Ele tem um falsetto em sua voz, e eu aprecio muito ouví-lo. Matt também é um compositor muito talentoso.”

“Eu ouço Muse desde o álbum The Resistance, que foi um ótimo começo para mim. Amo o aspecto teatral das músicas dele. A conexão com o teatro me faz feliz e me encoraja a adicionar coisas novas nas minhas músicas.”


STING

“No ensino médio, eu estava ouvindo muito músicas como Fields of Gold. Essas músicas sempre lembraram minha infância. Ele usa melodias – e escreve melodias para a própria voz – de forma que todos possam cantar e memorizar as letras.

“Aprecio bastante o reggae que ele fez em The Police. Ele usou muitos ritmos do estilo, e agora fez o mesmo com Shaggy; eu gostei bastante. Gosto porque me lembra muito The Police. Ele é um compositor muito importante. Para mim, a atitude dele é “isso é o que vou fazer, é pegar ou largar”; isso é inacreditável.”