2018 - Act II Resenha Overdrive

Escrito por Myla. Posted in Entrevistas

Um concerto de proporções realmente épicas, "Act II" mostra Tarja em seu melhor, incomparável, e prova que ela ainda é uma das maiores performers vocais no metal.

O lançamento ao vivo mais recente de uma das vocalistas mais poderosas do metal sinfônico, o CD duplo "Act II" mostra Tarja Turunen em uma performance ao vivo absolutamente impressionante em Milão, Itália, gravada em 2016. Parte da turnê mundial do "The Shadow Self," o show inclui muitas favoritas do catálogo anterior de Turunen, e até um medley de músicas do Nightwish.

O show começa com o público pirando enquanto o concerto começa com os sons de rock 'n' roll de No Bitter End, incluindo as proclamações operáticas de Turunen. A bateria de Tim Schreiner está proeminente na mixagem, junto com o bem equilibrado baixo de Kevin Chown. Infelizmente, alguns dos momentos de Alex Scholpp se perdem sob os riffs, especialmente em algumas das primeiras faixas, mas fora isso a música é absolutamente impressionante e muito envolvente.

A banda diminui a atmosfera um pouco com a mais lenta, mais pesada e rítmica 500 Letters, com o público continuando a dar uma resposta massiva. As coisas ficam ainda mais obscuras com Eagle Eye, com a voz assombrosa de Turunen exposta magnificamente nos versos carregados e emotivos.

A abertura distinta de Demons in You apresenta guitarras um pouco progressivas de Scholpp, que na verdade lembram um pouco Steve Vai. Esta música entrega uma bela mudança de andamento de Eagle Eye, e supera a anterior em peso, incluindo uma entrega bem forte de Turunen, e sem dúvida um público agitado para a resposta mais intensa até o momento.

O trabalho com o cello entre Christian Kretschmar e Max Lilja tem sua primeira aparição distinta na grandeza de Lucid Dreamer. Em alguns momentos baixa e assombrosa, a canção constrói uma grandiosa ressonância climática antes de novamente se mergulhar em sons assustadores e puxados, junto com palavras distantes ditas por Turunen. Por um tempo, a música passa para uma melodia obscura de teclado, o que mantém a canção escura e diversa.

O sentimento de rock 'n' roll é trazido de volta com Shameless, com guitarras impactantes e vocais contagiantes. Isto novamente é balanceado pela próxima música, uma apresentação acústica de The Living End, com Turunen comentando cheia de humor, "vamos acender uma fogueira, huh?"

Acordes de guitarra baixos e cheios de suspense abrem Calling from the Wild para gradualmente guiar o público de volta para a energia alta, com um peso poderoso e bateria climática. Ambos os riffs e os vocais são absolutamente massivos nessa canção, com Turunen providenciando um drama angustiado através de toda a faixa. Isso tudo se resolve em um solo superbo de Scholpp enquanto a banda cria uma parede sonora escura e épica, com o público demonstrando sua apreciação com bastante clareza ao fim.

A banda então passa para o cover de Supremacy, do Muse, uma peça desafiadora que eles performam com louvor. Kretschmar contribui com sintetizadores poderosos no lugar dos grandiosos elementos eletrônicos do Muse, mas é a performance de Turunen dos vocais de Matt Bellamy que de fato brilha. O próprio Bellamy é um músico e vocalista profundamente subvalorizado, mas neste caso Turunen o deixa muito para trás.

De certa forma, os covers continuam à medida que a banda segue para um surpreendente medley das músicas do Nightwish. Grandiosos teclados e bateria esmagadora iniciam Tutankhamen para uma entrega mais pesada do que a apresentação origianl da música no "Oceanborn" (sic). Isso rapidamente se desfaz nos tons dóceis de Ever Dream, porém, e apesar de que essa música certamente capturará o coração de todos os ouvintes, havia uma suavidade na voz de Turunen cantando esta música com o Nightwish para o "End of an Era" que parece ter se perdido aqui. Um toque de The Riddler emerge antes que a banda assuma o peso de Slaying the Dreamer. Chown performa as partes de Marco Hietala admiravelmente (Scholpp performa as partes vocais de Marco Hietala), apesar de que, é claro, a voz climática de Turunen rouba o show.

O segundo disco começa com a intro leve e encantadora de Goldfinger, que então se transforma em uma peça bombástica com riffs fortes e cheios de movimento, um fundo orquestral amável e vocais maravilhosamente operáticos. As coisas então descem novamente com uma entrega diferente e etérea, com até mesmo os aspectos pesados mais lentos e mais assombrosos. De forma interessante, Turunen performa os vocais de um modo que de certa forma lembra Freddie Mercury nesta faixa.

A configuração acústica retorna para outro medley de músicas, com um approach lento e carregado de Until Silence, The Reight, Mystique Voyage, House of Wax e I Walk Alone. Acompanhada pelo piano e violões, a voz de Turunen se torna particularmente ressonante e poderosa, apesar de que os violões também se garantem. O piano é escuro e assombroso para House of Wax, enquanto há uma sensação quase que de cabaré para I Walk Alone, lembrando um pouco Dresden Dolls.

Riffs pesados de guitarra se mesclam lindamente com elementos orquestrais em Love to Hate, enquanto a música novamente se torna cativante e pesada. Há alguns toques orientais interessantes nessa faixa, e eles são levantados pela guitarra principal. Isso contrasta com a bateria marcial e as cordas de Victim of Ritual, com seus cellos bombásticos, bateria profunda e guitarras climáticas. Os vocais de Turunen nesta canção são fantasticamente operáticos, até hipnóticos.

Uma construção dramática e cheia de suspense leva o público para a carregada e memorável Undertaker, enquanto Too Many às vezes é lenta, lamentosa e contemplativa, e em outros ainda é grande e bombástica. Too Many constrói um clímax realmente dramático e encorpado antes de desaparecer e deixar Turunen cantando, de forma impressionante, sozinha.

Um piano maravilhoso abre Innocence antes que os riffs escuros e dramáticos de guitarra comecem. Esta faixa linda e poderosa se torna quase insuperável, com os elementos de piano novamente parecendo evocar Muse.

As coisas se balanceam entre o obscuro e o dançante com Die Alive antes que a banda encerre o show com um clímax perfeito, Until My Last Breath. Turunen começa a faixa declarando, "Ok, esta garota aqui quer ver uns passos de dança! Hora da festa!" E sem dúvida ela queria, com a música extremamente chiclete que é tanto pesada quanto dançante, com um trabalho de guitarra brilhante encerrando o show até que Turunen muito apropriadamente encerre com um último suspiro no microfone.

"Act II" demonstra uma performance ao vivo absolutamente incrível neste álbum duplo, e há ainda mais nas edições do mediabook ou Blu-ray. Sem dúvidas, Turunen está mais forte do que nunca nesta performance envolvente, e a banda dela não fica para trás. Certamente um dos melhores lançamentos ao vivo do ano.