2017 - That Drummer Guy Entrevista

Escrito por Julia . Posted in Entrevistas

E: Com o álbum [From Spirits and Ghosts] saindo daqui algumas semanas, qual a ideia para as tours e para a promoção dele?

T: Como esse ano eu ainda estou em tour com o The Shadow Self e a tour irá até o fim de Novembro, teremos poucos shows. Mas há um plano para fazer mais tours com esse álbum, porque é um álbum de temporada, e como eu disse, tem Natal todo ano. É algo bom que há pessoas me procurando para fazer esses shows - eu tenho feito shows de Natal por muitos anos, mas agora com um álbum mesmo eu vou ter a chance de fazer mais tours. E eu adoraria ir até aos Estados Unidos mesmo com esse álbum. Mas o que eu estou feliz de poder dizer é que ano que vem teremos shows de rock mesmo nos EUA, em Setembro. Eu estarei como headliner do Prog Fest USA, e em torno dele terão alguns shows meus mesmo, na mesma época. Estou muito feliz, faz muito tempo que não vou aí.

E: Com uma discografia que cresce tanto, quão mais difícil está ficando para você escolher que músicas tocar ao vivo, que músicas colocar ou tirar do setlist?

T: Ah, é uma liberdade maravilhosa. É lindo ter tantas músicas que eu posso escolher o que tocar, e ter músicos incríveis comigo nos quais eu posso confiar - sabe, eu tenho a segurança com eles de poder dizer "então, olhem essa música para a próxima parte da tour", eu me divirto tanto com os meninos que estão comigo em tour hoje em dia, porque a gente tem a mesma motivação, de querer progredir. Quero dizer, mesmo quando eu vou para o estúdio com eles gravar, eles me dão vários comentários, minhas músicas nunca soariam igual sem essas pessoas tão talentosas comigo. E aí quando nós saímos em tour ainda há um lindo crescimento, uma evolução em cima disso, porque as músicas ganham uma nova vida - mesmo que sejam as mesmas músicas que nós gravamos juntos, mas ainda com a energia ao nosso redor, a vibe positiva, você pode nos ver felizes, energéticos, tocando... E é maravilhoso, que depois de todo esse tempo, depois de vinte anos nessa carreira, eu ainda me sinta super animada de sair em tour. Isso me faz muito feliz, porque acho que se algum dia eu perder esse sentimento eu tenho que parar, não seria mais real, sabe?

E: Realmente há muitos fatores envolvidos nisso, desde achar as pessoas certas pra tocar, gravar, etc... É bom ver que mesmo depois dos últimos anos com tudo que você tem feito essa inspiração e essa felicidade ainda estejam aí, eu estou muito curioso para saber o que vem a seguir.

T: A música me levou para um lugar muito bom, agora. Me sinto confortável. E sinto que ainda estou me desafiando - que é meu 'segundo eu', os desafios... Porque eu sou cantora lírica, eu me acostumei a trabalhar muito, e meus amigos dizem "você é a maior viciada em trabalho que eu conheço" - mas eu gosto do que eu faço, eu não sofro de trabalhar muito, e sim, claro, eu tenho que trabalhar muito, diariamente, como cantora para continuar em condições de cantar, e mesmo fisicamente para aguentar as tours de rock, porque elas são duras e envolvem muitas viagens e tudo mais, mas... Também quando se trata de escrever, eu aprendi muito nesses últimos anos. Poder escrever, gravar e tocar suas próprias músicas para seu próprio público é... wow. Estou vivendo meu sonho, e é um sonho lindo.

E: É muito bom ver todos esses lados e ver que toda a paixão e a emoção ainda estão lá, em todos os seus trabalhos, na sua voz, nas suas músicas, e seus fãs percebem isso. Imagino que para você também seja muito bom perceber que mesmo depois de todo esse tempo os fãs também ainda estão lá pra você e feliz de ver você lançando nova música.

T: Sim, e eles são tão malucos quanto eu, eles têm a mente tão aberta... Porque eu estou desafiando eles também com a minha música, toda vez que eu vou lançar um álbum é "o que ela vai fazer dessa vez??" (risos) mas eles se animam com isso porque sabem que eu sempre quero progredir, e veem esse progresso em mim. Meus fãs são pessoas incríveis, e claro que sem eles me apoiando e sem toda a força que eles me dão eu não estaria aqui fazendo o que eu amo, então sou muito muito grata.

E: E a respeito do futuro, há mais álbuns vindo ou você está mais focada agora nas tours?

T: Eu ainda estou em tour, mas você pode esperar pelo meu DVD para ser lançado ano que vem, da The Shadow Shows, chamado ACT II, gravado em Milão ano passado. Isso vai ser lançado, e aí me abre a possibilidade de fazer mais alguns shows também, alguns festivais na Europa, alguns shows meus. Vamos ter algumas tours clássicas acontecendo também, não um lançamento, mas vocês vão me ver me apresentando com música clássica também. Depois temos vários shows e Natal, eu estou participando de um projeto chamado Raskasta Joulua, é tipo um "natal pesado" na Finlândia, com vários cantores de metal participando em músicas de Natal - esse ano eu só sou parte de quatro shows, mas ano que vem estarei lá para a maior parte da tour, algo como trinta shows, uma loucura, muita música de Natal ano que vem! E claro, com o meu álbum terão shows também, então... muitas tours. E no meio tempo eu também quero escrever minhas músicas para meu novo álbum de rock, eu já comecei a pensar nisso, já comecei a escrever, e acredito que - sinto que vai ir numa direção mais progressiva, falando de composição. Ainda deve continuar pesado, mas acho que será mais progressivo. Porque eu estou meio que me libertando de tudo que eu aprendi, sabe? na escola, na universidade, onde você aprende o que é "certo" e o que "errado", eu estou me livrando disso, dessas regras. Eu amo música progressiva, adoro rock e metal progressivo, então algo assim... Espere o inesperado, talvez? (risos) vamos ver o que eu faço. Escrever ainda é algo novo para mim, mesmo depois desses anos, quando eu sento para escrever ainda estou muito animada e... escrevo as músicas porque me sinto animada eu mesma com esse processo. Ainda é algo que... borbulha. Eu não tenho mais medo. E isso é uma grande mudança. Quando eu comecei minha carreira solo, depois de tantos anos em uma banda, eu precisava encontrar meu próprio caminho, e isso levou anos, eu levei anos para me sentir confortável. E depois de todos esses anos, e de todo o trabalho, e de todas as pessoas que eu conheci e que trabalharam comigo e que me inspiraram, depois de tudo isso, é muito bom poder sentar e escrever minhas próprias músicas e me sentir bem sobre elas. Exigiu muito trabalho, sabe? mas é uma sensação ótima hoje em dia.

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* Pontos principais de entrevista concedida em Outubro de 2017.